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A Páscoa foi boa?

Tenho ouvido esta pergunta recorrentemente nos últimos dias. Acontece que Deus não se fez Homem para comemorarmos o Natal. Nem ressuscitou o Seu Filho para termos umas mini-férias entre o Natal e o Verão. Às vezes parece que nos esquecemos de que estes momentos são muito mais do que celebrações pontuais.

A Páscoa não é um parêntesis no meio do nosso dia-a-dia. E não é só a oportunidade para, daí em diante, sabermos reconhecer melhor a presença de Jesus ressuscitado na nossa vida. É também a oportunidade de nós próprios trazermos à vida aquilo que está mais adormecido ou morto em nós e potenciarmos isto nos outros. A Páscoa é um desafio concreto para o dia-a-dia. Jesus ressuscitou – mas mais importante do que isto é o continuar ressuscitado agora, enquanto escrevo este texto, e amanhã, quando já não me lembrar dele; em casa, na faculdade e no trabalho; nos momentos eufóricos de Domingo de Páscoa e nas várias Sextas-feiras Santas que vamos ter ao longo da vida. A Páscoa não foi; a Páscoa está a ser. Ser cristão é viver com consciência de Páscoa.

Façamos a nós mesmos o favor de não encostarmos a Páscoa ao calendário. Deus desbravou caminhos antes de nós para que, no dia-a-dia, possamos viver confiados n’Ele e, assim, nos fortalecer nas dificuldades e nos ajudar a querermos aquilo que Ele quer para nós.

“Se alguém se aproxima de Deus, ilumina e aquece. Se se aproximar mais ainda, incendiar-se-á. A Bíblia é um bosque de homens incendiados”*. Deixemos que a Páscoa nos vá incendiando, para que nós vamos incendiando o mundo e sejamos sinal de ressurreição todos os dias.

A Páscoa está a ser boa?

*Larrañaga, Inácio (1980). O Silêncio de Maria. Edições Paulistas, 3ª edição, p. 40
 
António Santos Lourenço
15.04.2012
Missionários Claretianos