Cruzencuentro 2015 – Vida com VIDA
Testemunho
Acordar depois de uma noite mal dormida por causa do frio não é fácil. Mas é fácil acordar quando tens um mundo de descobertas à tua espera. E, por muito que penses que os mistérios não te podem interpelar mais, a verdade é que as respostas trazem novas perguntas.
Os votos da vida consagrada ainda são um tabu para muita gente. E, nestes dias, tive a oportunidade de descobrir o que são, afinal, os votos de pobreza, castidade e obediência. Descobrir que a castidade não é uma restrição, mas sim uma não exclusividade. A castidade chama-te a seres tu mesmo com cada pessoa que cruze o teu caminho, amando-a tal e qual como é. Sem que tudo isto seja exclusivo de um namorado/marido.
Perceber que viver na pobreza é unicamente dar e partilhar, sem esperar algo em troca. Porque aquilo que tens, não é teu. E é a dar que te enriqueces. Na realidade, viver na pobreza é ser rico. Rico em amor, em amizade, em sorrisos, em abraços,…
E, no fim de tudo, aprender a obedecer. Porque mais do que seguir ordens, obedecer é abrir a folha em branco da vida, pegar no lápis e deixar que Deus a desenhe connosco, colocando a Sua mão em cima da nossa.
Contudo, tudo isto só faz sentido se for partilhado. E não precisas de criar um evento nas redes sociais para que tal aconteça. Basta que saias à rua e que o transmitas com a tua maneira de ser. Cantar, dançar, pintar, falar, ajudar,…são tudo formas de o fazer. Mas o desafio está em partilhar a mensagem pela forma como ages na tua família, no teu grupo de amigos, na escola/universidade, no trabalho e contigo mesmo.
E é aí, quando sentes que já o fazes, sem cansaço ou sacrifício, que te sentas diante de Deus e percebes que a santidade está ao alcance de todos e que os votos, já os fizeste no teu batismo. Esses votos pelos quais te reges e que renovas em cada «SIM». As lágrimas escorrem diante d’Ele. Não de tristeza, mas de felicidade e paz.
Vida com VIDA – vidas que merecem a pena!
Joana Carvalho
CRUZENCUENTRO 2015
Celebrando a Vida Consagrada em Família Claretiana
“QUERES VIR COMIGO?”, foi este o mote central da 8ª edição do Cruzencuentro, que juntou mais de uma centena de jovens claretianos de Espanha e Portugal, para refletir sobre o tema “Vida com VIDA – Celebrando a Vida Consagrada”, tendo em conta a celebração do Ano da Vida Consagrada. Decorreu de 30 de outubro a 1 de novembro no “Colégio Claret”, em Segóvia, Espanha, e teve como objetivo principal dar a conhecer aos jovens a Vida Consagrada, a partir da apresentação do carisma e missão dos quatro grupos constituintes da família claretiana: “Missionários Claretianos - homens de fogo, Missionárias Claretianas - mulheres da palavra, Filiação Cordimariana - mulheres com coração e Missionárias da Instituição Claretiana - amor recebido e partilhado”.
A organização e dinâmica deste encontro procurou apresentar a vida consagrada, de inspiração claretiana, a partir do testemunho concreto de pessoas felizes que se entregam inteiramente a Deus, que multiplicam o seu amor para amar os que mais precisam (castidade), que partilham tudo o que têm (pobreza) e que vivem completamente disponíveis para fazer o que Deus pede a cada instante (obediência).
Fomos desafiados também neste encontro a espalhar a alegria de ser ‘Cristo Jovem’ com todos os que passavam pelas ruas de Segóvia, espalhando a mensagem "WHEN JESUS SAY YES, NOBODY CAN SAY NO!" (Quando Jesus diz: sim, ninguém pode dizer: não). A noite de sábado foi de vigília, com a dedicação de um tempo à adoração do Santíssimo, onde partilhámos o que sentimos, escrevemos uma mensagem para todos os consagrados, abrimos o nosso coração a Cristo e tivemos a oportunidade de nos aproximarmos do Sacramento da reconciliação.
No domingo fruímos de um tempo de reflexão, em grupo, sobre a pessoa mais importante na vida de cada um, as nossas inquietações, as diferenças entre uma pessoa de fé e uma pessoa sem ela, em que instantes fui verdadeiramente feliz, que qualidades valorizo nos que me rodeiam e em mim mesmo, o que espero de uma pessoa da Igreja e de uma pessoa consagrada, e que tenho eu para dar ao mundo.
O Encontro culminou com a Eucaristia, ao final da manhã, vivenciada com muita fé, alegria e amizade partilhadas. Saímos cantando o hino de Claret “Chegou o Senhor, cruzando o teu caminho…”
E assim foi mais uma viagem conCENTRADOS, conMOVIDOS e conJUNTADOS por um ideal que vale a pena acolher e seguir: Jesus Cristo pobre, casto e obediente!
Obrigado aos membros da Família Claretiana, por nos transmitirem a alegria de serem Vida com VIDA!
Grupo dos participantes de Portugal:
Pe. Víctor Portugal | Joana dos Santos | Serafim Carvalho | Carolina Ferreira | Leandro Rodrigues | Cláudia Farias | Miguel Rodrigues | Marta Pires
O Natal não é ornamento
O Natal não é ornamento: é fermento.
É um impulso divino que irrompe pelo interior da história
Uma expectativa de semente lançada
Um alvoroço que nos acorda
para a dicção surpreendente que Deus faz
da nossa humanidade
O Natal não é ornamento: é fermento.
Dentro de nós recria, amplia, expande
O Natal não se confunde com o tráfico sonolento dos símbolos
nem se deixa aprisionar ao consumismo sonoro de ocasião
A simplicidade que nos propõe
não é o simplismo ágil das frases-feitas
Os gestos que melhor o desenham
não são os da coreografia previsível das convenções
O Natal não é ornamento: é movimento.
Teremos sempre de caminhar para o encontrar!
Entre a noite e o dia
Entre a tarefa e o dom
Entre o nosso conhecimento e o nosso desejo
Entre a palavra e o silêncio que buscamos
Uma estrela nos guiará
José Tolentino Mendonça

Durante o fim-de-semana de Todos os Santos (1-3 de novembro) um grupo de 9 jovens portugueses dirigiram-se a Barbastro, na vizinha Espanha, para se unirem a outros 70 peregrinos (missionários, missionárias, leigos, catequistas, jovens…) das distintas posições da Família Claretiana. “Objetivo: a cruz”, lema escolhido para este Cruzencuentro’13. Que melhor cruz que a daqueles 51 filhos do Coração de Maria, Mártires de Barbastro. Que melhor história para entender, sentir, tocar e aprender que aquela história de amor, de amor pelo outro, até ao fim, até ao extremo, que melhor história que aquela de encontrar-se com a graça de dar-se aos outros. Foi este o belo exemplo que os jovens Mártires Claretianos de Barbastro nos deixaram com o seu sangue derramado por Amor.
Na sexta-feira iniciámos a experiência deste Cruzencuentro’13 tomando consciência da encruzilhada de caminhos e a rotina que vivemos no dia-a-dia. Cada dia uma opção, uma decisão, uma dúvida, uma prova, um caminho. E, em cada dia, uma mensagem: “Vem e segue-me”. Quais são os meus sonhos? Desejos? Aspirações mais profundas? Que coisas gostaria de fazer antes de morrer? Diante destas questões fundamentais procurámos entender o sentido do chamamento que Deus nos faz todos os dias. Iluminados pelo filme sobre os Mártires Claretianos de Barbastro, “Um Deus proibido”, percebemos que é preciso abraçar, sempre, a vida desde a Cruz.
No sábado metemo-nos, literalmente, dentro do filme que é a nossa própria vida. E durante um dia o cenário foi o mesmo no qual viveram a sua história, no ano de 1936 num contexto de guerra civil, os filhos do Coração de Maria: o salão dos Escolápios onde estiveram presos, o caminho percorrido em direção ao lugar do martírio, o próprio lugar onde derramaram o seu sangue… Não são precisas muitas palavras para descrever estes lugares e o que simbolizaram para nós. Acreditem que o fato de estar, apenas, nestes lugares e poder sentir, tocar, respirar e contemplar aquilo que neles se viveu deixou uma marca profunda em cada um de nós. Ao entardecer celebrámos a Eucaristia na cripta do museu claretiano, onde se encontram os restos mortais dos Mártires de Barbastro. Aí pedimos ao Pai que nos ajude a fazer sempre a Sua vontade, que a nossa vida seja sempre um compromisso de entrega, que o nosso coração perceba que é obrigatório abraçar a Cruz, sempre.
Durante a viagem de regresso a casa não nos cansámos de entoar um cântico aprendido nestes dias e que, ainda hoje, ecoa no nosso coração: “Permanece connosco, Tu és a esperança, És a nossa Fé. Permanece connosco, dá-nos valentia e um coração fiel”. Estas palavras espelham bem o entender, tocar e sentir da história dos mártires. Agora com o aprendido em Barbastro sigamos o caminho… Viva Cristo Rei! Viva o Coração de Maria!